Nota de imprensa
Sob o céu da cidade de Leiria”, “estando o sol em 15º 53’ 35’’ do signo de Peixes” do ano de 1496, acabou de se imprimir a primeiríssima edição uma das mais importantes obras de astronomia da história de Portugal e do Mundo: o Almanach Perpetuum, de Abraham Zacuto.
Ao longo do século XX, vários investigadores têm apontado como correspondência para esta datação astronómica, o dia 25 de fevereiro de 1496, o que significa que esta obra – da qual a Biblioteca Pública de Évora possui 2 exemplares – celebra 530 anos na próxima quarta-feira, dia 25 de fevereiro.
No entanto, se optarmos pela celebração da datação astronómica, a longitude solar de Leiria, Lisboa e Évora estará novamente nos 15 graus, 53 minutos e 35 segundos do signo de Peixes pouco depois das 12h00 do próximo dia 6 de março de 2026.
Esta alteração de data, motivada pela Reforma Gregoriana ocorrida em 1582, leva-nos a celebrar os 530 anos do Almanach Perpetuum no próximo dia 7 de março, a partir das 15h00, com uma Conferência do Professor Doutor Henrique Leitão, durante a qual os dois exemplares da BPE estarão expostos.
O que é o Almanach Perpetuum?
Trata-se de um Incunábuilo (impresso entre a invenção da imprensa e o ano de 1500), contendo um conjunto de tábuas astronómicas, calculadas a partir do ano base de 1473. Nelas é calculada a posição do sol em cada dia do ano e ao longo dos quatro anos do ciclo dos anos bissextos. Para calcular a posição do sol numa determinada data, era necessário determinar quantos ciclos bissextos haviam ocorrido desde o “ano radix” (o já referido 1473) e somar-lhe o desvio entretanto observado de 43 minutos por hora para cada ciclo. A partir destes cálculos, para cada ano de um ciclo bissexto é calculada uma tábua do sol.
As tábuas forma traduzidas do hebraico para o latim peço discípulo de Zacuto, Mestre José Vizinho, e impressas na oficina de Mestre Ortas, em Leiria.
Quem era Abraham Zacuto?
Terá nascido em Salamanca , cerca de 1452, onde viveu e trabalhou como astrólogo, astrónomo e médico. Terá chegado a Portugal na viragem do ano 1492 para 1493, onde foi contratado pelo Rei D. João II, fortemente empenhado em reunir instrumentos de navegação que tronassem as viagens marítimas mais seguras.
Quando o Almanach é publicado, em 1496, Zacuto estaria em Lisboa, provavelmente a colaborar na preparação dos homens que seguiriam viagem na Armada com destino à Índia,prevista para o ano seguinte. Porém, com a publicação do decreto de expulsão dos Judeus em dezembro de 1496, Zacuto e o seu filho Samuel deixam Portugal ainda nesse ano.